Primeiro Passo

Só há uma coisa que posso dizer do ato de quarta-feira: foi um sucesso. Na realidade mais do que esperávamos. Foi de fato um ato político, uma tentativa de mostrar que existimos e temos reivindicações, que somos sujeitos ativos: a passividade não está tão generalizada quanto alguns querem acreditar;  mais do que mero carnaval e gastadores de dinheiro (Deus – o Estado – salve o Pink Money!), somos dotados de um potencial que pode surgir, e surgirá. Temos nossas caras, e vamos a rua mostra-las. O ato de quarta foi apenas o começo.

Agora há uma ferramenta a nosso favor, que nos prós e contras acaba servindo em muitas coisas: a internet, ela nos conecta, permite a troca de idéias, posicionamentos, permitiu criar um ato com relativa repercussão na mídia através de uma única rede social, sem desperdício de panfletos, dinheiro, nada disso. Provou-se que com pouco recurso e com o forte fluxo de informações na rede, muita coisa se faz. Se nessa quarta-feira vimos algo que deu certo, somente a nostalgia nada adiantará; uma reivindicação, isolada,  morre na praia, não chegará até a ilha.

37 direitos negados aos homossexuais, alguns dizem em 78 . Em um mundo em que os negros já foram considerados inferiores aos brancos, em que negros não podiam se casar com brancos (e até entre eles mesmos), em que a retórica do preconceito e do interesse de grupos detentores do poder não permitia a equivalência de direitos, agora vemos a mesma situação se repetir: pessoas que se amam não podem se casar, não podem adotar filhos e estão sujeitas a serem  possíveis alvos de preconceito e discriminação, somente por amar diferente: expostos a espancamentos na rua, a serem expulsos de restaurantes, a sofrer piadinhas e apontamentos. Não somos inocentes, sabemos que a legalizacao é apenas um passo, e que o fato de estar escrito em lei não garante a inclusão e o respeito ao status de equidade, isso passa pela construção cultural e a educação, e nela temos que pensar também; entretanto, as leis têm uma consequência simbólica muito importante, assim como foi a criminalização do racismo.

A criminalização da homofobia não significa privilégios, mas sim igualdade. Não significa ter mais direitos que um heterossexual, mas os mesmos direitos – poder agir na equivalência de direito e deveres – e ações.

Assim, até hoje a PLC 122/06 transita no congresso. Desde 2006. E nós nada fazemos, pois temos a parada gay, pois temos a balada da esquina (o gueto permite um pouco de liberdade, mas até quando nos trancafiaremos?), pois temos a cerveja no bar gay-friendly. E, saindo desse meio, nos enquadramos, fingimos ser algo que não somos, por medo de chacotas e violências físicas e verbais.

Até quando ficaremos sem fazer nada, até quando levaremos porrada?

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Download

Aos que pedem uma carta, uma explicação, material p. distribuir, link p. download:
Carta de divulgação: Coletivo de pessoas indignadas com a situacao

ps: (Aos, que não sabem chegar, aqui está o endereço)

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O LOCAL MUDOU

ATENÇÃO: EM VIRTUDE DO ALTO NÚMERO DE PESSOAS CONFIRMADAS, O PROTESTO MUDOU DE ENDEREÇO: ELE OCORRERÁ NA RUA ITAMBÉ, NUMERO 45 (UMA DAS ENTRADAS DO MACKENZIE)

Dia: 24/11 – Quarta Feira
Concentração às 17h30

Manifestação às 18h00 (entre o horário de saída das turmas da tarde e a entrada das turmas da noite)

LOCAL: RUA ITAMBÉ, 45- Consolação


Dúvidas, sugestões, quer nos ajudar?
Fale conosco e solte seus pensamentos:
email: atoantihomofobia@gmail.com
Facebook: página do facebook

Abaixo, um post de esclarecimento e pensamentos. Peço que leiam com calma

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Algumas explicações

Muita coisa se tem dito sobre o ato de protesto que ocorrerá quarta-feira (24), e pouco se sabe. Por isso, venho aqui escrever esse post de esclarecimento, para dar luz a algumas dúvidas que porventura possam surgir.
Essa manifestação surgiu no Facebook. Somos simples jovens indignados com o posicionamento de uma universidade – que em teoria estimula a livre produção de conhecimento, o acesso a diferentes universos, a crítica e a produção cientifica – assumindo uma posição tão conservadora quanto reacionária. Como uma instituição que deveria propiciar o PENSAR e o QUESTIONAR pôde afirmar com base na bíblia o que é o certo e o errado, jogando todo o conhecimento da história, das ciências sociais, da metafisica no lixo? Como pode estimular o preconceito, a homofobia e ainda assim ser ela a responsável pela formação intelectual de milhares de estudantes? Todos os dias acontecem crimes motivados por origem homofóbica, e nada é feito.
Proteger o direito, a integridade física, moral e psicológica de todos os cidadãos é um dever do Estado. Assim como o racismo deve ser considerado crime, o mesmo vale para a homofobia. Sem mais Kux Kux Klan ou grupos que estimulem o preconceito. Assim, no auge da indignação, criamos um protesto em uma rede social.

O que era para ter 30 pessoas cresce a cada dia. Até o momento, há 2800 pessoas confirmadas. Quem está fazendo a manifestação são todos, os que estão ajudando a divulgar, a comparecer. O universo virtual é infinito, e dá vozes para os grupos oprimidos.

Temos visto agressões (terríveis) na Avenida Paulista; um jovem foi assassinado na parada gay; nos Estados Unidos onda de suicídios entre jovens homossexuais fez com que surgisse a campanha “Its Gets Better”, com o próprio presidente Obama se pronunciando. Ser gay não é crime, ser gay não é pecado. Faz parte da natureza humana. Ninguém escolhe, e ninguém é melhor ou pior por isso. Alguém consegue imaginar o mundo sem Oscar Wilde, Alexandre Magno, Leonardo Da Vinci, Miguelângelo ou Shakespeare? O amor entre pessoas do mesmo sexo sempre existiu, e continuará existindo – ainda bem.

Esse ato de protesto não será somente contra a posição da Instituição Mackenzie. É um protesto que surge de baixo, das pessoas comuns do cotidiano, que finalmente têm a chance de se reunir, gritar e protestar. PORQUE A HOMOFOBIA NÃO É CRIME? PORQUE EU TENHO QUE SOFRER, SER AGREDIDO NA RUA APENAS POR SER QUEM EU SOU? Ser gay é ser humano. Ser hetero é ser humano. Ser bissexual é ser humano. Somos seres sexuais, e seres que amam. Deus não condena o amor.

Assim, chamo a todos para um ato em repudio a posição tomada pelo Mackenzie em relação a Lei que criminaliza a homofobia. (PLC 122/2006 – leia, conheca o projeto de lei) E chamo a todos para um grito, para protestar, para se mostrar visíveis e combatentes da integridade humana. Somos pessoas integras, buscando preservar nossa integridade.

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ATO ANTI HOMOFOBIA

Segundo o relatório divulgado pelo GGB (Grupo Gay da Bahia), em média dois homossexuais são assassinados por dia no Brasil. Em 2009, 198 foram mortos, nove a mais que em 2008. No dia 14 de novembro, dois atos de agressão motivados por homofobia repercutiram na grande imprensa do país. Um rapaz de 19 anos foi baleado na zona sul do Rio após a 15ª Parada do Orgulho Gay, e três homens foram agredidos por um grupo de jovens na avenida Paulista. Esses são poucos casos que vieram a público. Há, todos os dias, homossexuais vitimas de violência. Fisica, verbal, simbólica.
Paralelo a isso, na última terça-feira (11), o Chanceler e Reverendo da Universidade Presbiteriana Mackienzie, uma das maiores e mais influentes Universidades do Brasil, Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes, publicou uma carta em que ele, em nome da Universidade, se posicionava contra a aprovação da Lei da Homofobia, citando passagens bíblicas e alegando que a cultura brasileira está cada vez mais distante das referências de certo e errado.

Nosso objetivo com esse manifesto não é necessariamente afrontar a falta de apoio da direção da universidade em relação a Lei da Homofobia. O fato do Reverendo apoiar suas justificativas sobre passagens bíblicas e argumentos não fundados é o que nos afronta. O reverendo falou em nome do Mackenzie para justificar seu comportamento homofóbico!

O nosso ato de protesto não é contra a instituição de ensino do Mackenzie, nem com seus corpos docente e discente. Também não tem conotação homossexual, heterossexual ou nenhuma orientação sexual direta. É um movimento em prol da liberdade de escolha, da liberdade de expressão, onde todos estão convidados a demonstrar a sua liberdade como bem entender.

Não podemos deixar essa oportunidade passar em branco; vamos demonstrar nossa pluralidade de escolhas sem medo e sem vergonha!

A presença de todos será muito importante e muito bem vinda.

Universidade Presbiteriana Mackezie
24/11/2010 – Quarta Feira
Concentração às 17h30
Manifestação às 18h00 (entre o horário de saída das turmas da tarde e a entrada das turmas da noite)

Tragam cartazes, bandeiras, cornetas, altofalantes, tirem o pó das vuvuzelas e vamos ver e ser vistos!

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